terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mais greve

Eu já tinha comentado antes sobre as greves na França, mas nas últimas semanas, a coisa está ficando ainda mais forte. O grande motivo da greve é a nova idade para a aposentadoria. Atualmente, o trabalhador francês pode se aposentar aos 60 anos, mas com uma população ficando cada vez mais velha, o governo quer modificar essa idade para 62 anos. Alguns dizem que essa nova idade vai diminuir ainda mais a possibilidade de os jovens conseguirem um emprego, uns poucos defendem o aumento da idade. Mas uma coisa que percebi semana passada, é de que pior do que o desemprego, é perder um direito há muito tempo conquistado pela população. Tive a impressão de que, pior do que trabalhar um pouco mais, é ser obrigado a trabalhar, e perder parte do salário se não atingir os 65 anos até se aposentar.
A greve por aqui é um pouco diferente do que eu estava acostumada a ver. As grandes greves que presenciei sempre foram de professores. O setor de ensino é extremamente importante para a sociedade, mas parece que isso nunca tocou muito os governos. Por aqui, além de professores, ferroviários, controladores de voo... os estudantes também tem cruzado os braços.
Lendo um pouco sobre a greve na Zero Hora, me parece que a imagem que está sendo transmitida para o resto do mundo é de uma greve violenta. Não é o que tenho visto por aqui. Normalmente, eles pegam suas bandeirinhas, alguns carros de som, e saem pelas ruas da cidade fazendo suas manifs. No meu caso, em particular, o transporte urbano está um pouco mais complicado, temos que olhar bem os horários de trens, se os ônibus estão circulando e se o metrô não está parado antes de sair de casa. Mas conseguimos chegar aos nossos destinos, de repente um pouco atrasados... mas chegamos. Também estava pensando em ir até Nice, isso 2 semanas atrás, mas devido a greve, preferi ficar em casa: não sabemos se o trem vai sair, quanto tempo vai atrasar, se vai ser cancelado... 

Além da greve contra a reforma da aposentadoria, os petroleiros também estão em greve, devido a algumas modificações que querem fazer da legislação dos portos. Essa parece que vai tocar um pouco mais o governo, pois os postos estão ficando sem gasolina.
Enfim, o movimento é forte, mas não parece que o Sarkosy vai recuar. Ele tem uma péssima popularidade por aqui (menos de 30% de aprovação), mas acho que ele não se preocupa muito com isso.
Fui dar uma procurada na internet sobre greves. Encontrei que a maior greve do Brasil (pelo menos até pouco tempo atrás) havia sido uma na UEL (Londrina) - 180 dias (2001-2002). Mas talvez a greve da UnB tenha ultrapassado esse número (2010). Parece que a primeira greve ocorreu ainda durante a construção das pirâmides, mas naquele tempo ainda não se chamava assim. Adivinha de que lingua veio a palavra usada atualmente? Sim! Acertaram!!
"A palavra origina-se do francês grève, com o mesmo sentido, proveniente da Place de Grève, em Paris, na margem do Sena, outrora lugar de embarque e desembarque de navios e depois, local das reuniões de desempregados e operários insatisfeitos com as condições de trabalho. O termo grève significa, originalmente, "terreno plano composto de cascalho ou areia à margem do mar ou do rio", onde se acumulavam inúmeros gravetos. Daí o nome da praça e o surgimento etimológico do vocábulo, usado pela primeira vez no final do século XVIII."

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